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As empresas, os líderes e seus papéis nas organizações

Na era da informação, pesquisas e estudos sobre termos como empreendedorismo, gestão e reputação podem causar um grande embaraço interpretativo na mente das pessoas, pela abrangência de assuntos que cada termo carrega consigo. No dia a dia das empresas, esses conceitos podem se dispersar ainda mais. O fato é que existe uma sinergia grande entre eles, e é importante entender que as pessoas com visão enxuta e aprimorada desses três conceitos tendem a obter resultados mais satisfatórios dentro das organizações. Propomos uma linha de raciocínio simples e prática para entender melhor sobre como esses conceitos, trabalhados nas pessoas, pode ser agregador.

Para esclarecer, recorro a quatro palavras que podem resumir a visão e o direcionamento de uma organização: dentro e fora; retenção e crescimento. Observando líderes de várias companhias, sem intenção de limitar os perfis e atuações, proponho um ponto de vista prático para facilitar a compreensão.

Traçando um paralelo entre os perfis do empreendedor e do gestor, pode-se dizer que o primeiro é o que olha mais para fora e o segundo, para dentro. O empreendedor, normalmente, está mais atento ao mercado, buscando soluções voltadas para o público externo, parceiros, alianças estratégicas ou, até mesmo, novas plataformas, tecnologias e modelos diversos para serem aplicados na empresa.

O gestor, por sua vez, é quem organiza os processos e as pessoas, liderando e as conduzindo para o melhor desempenho. É o perfil que recebe, gerencia e desenvolve as novidades vindas de fora.

O empreendedor é também aquele mais focado no crescimento. Tem facilidade de trazer novos clientes e desenvolver novos produtos e serviços, nunca satisfeito com os que possui até então.

Por outro lado, o gestor é quem faz o trabalho de retenção, atendendo aos novos clientes e refinando os projetos. Enfoca na alta qualidade e sofisticação dos mesmos e está sempre em busca de abrir mais portas para o empreendedor.

Dentro de um panorama de atividades do dia a dia, utilizando como base analítica o ciclo PDCA (do inglês “Plan - Do - Check – Act”, é um método interativo de gestão desses quatro passos para o controle e a melhoria contínua de processos e produtos), é possível fazer outro paralelo prático.

Com base nisso, o gestor tem mais vocação para as atividades de planejamento e checagem (controle), e o empreendedor, para execução e ações corretivas. O PDCA precisa sempre ser entendido como um ciclo a ser trabalhado em conjunto, porém, os atores principais de cada linha do ciclo possuem missões diferentes na rotina. Essa divisão clara de atividades facilita muito o gerenciamento do desempenho da empresa, permitindo a identificação de ações e responsáveis por cada uma das tarefas.

Dentro desse cenário simplificado, compreendemos que determinadas atividades da organização podem ser potencializadas se trabalhadas dentro de um perfil específico, com uma divisão clara. Não podemos limitar as atuações e afirmar que essa é a “receita de bolo” para um melhor desempenho, ou mesmo que existe uma receita.

A análise empreendedor versus gestor foi apenas uma constatação do estilo de trabalho e visão do que é mais comum a cada perfil. O fundamental é que as visões “dentro e fora”, “retenção e crescimento”, além de atuação sinérgica no modelo PDCA, existam em todos os setores, assim como as figuras do empreendedor e do gestor.

O conceito de reputação é outro que dificilmente se resume e se fecha em qualquer frase de dicionário. Pode ser compreendido de forma ampla e subjetiva. O propósito é entender a reputação dentro de uma análise de gestão e empreendedorismo, como o prestígio ou credibilidade a ser alcançada, utilizando a comunicação ou proposta de percepção para um determinado público.

As ações empreendedoras de gestão e os resultados alcançados dentro da organização precisam ser compartilhados e reverenciados para os públicos de interesse, inclusive os internos, obviamente de forma planejada, estruturada e técnica, dentro de uma gama de canais, ferramentas e tipos adequados de linguagem. A construção da reputação potencializa os trabalhos dos dois perfis de líderes em todas as frentes.

Na era da informação, não basta ser empreendedor, gestor e gerador de resultados. É preciso ser também comunicador e construtor de uma ótima imagem!

 

Artigo publicado no jornal Estado de Minas, no dia 24 de agosto de 2017.

Sobre o autor: 

Dino Bastos

Dino Bastos é vice-presidente da Partners, especialista em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral, em Comunicação Estratégica e em Negócios Imobiliários. É também vice-presidente de Comunicação da ACMinas Jovem e membro do conselho da Conaje.